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RADIOCONTROLE

A síndrome do receptor guardado
O que uma bobininha do tamanho de uma cabeça de fósforo pode fazer para estragar a sua festa quando você lembra de usar aquele receptor de RC que ficou um tempão muito bem guardado na gaveta.

Aprendi mais uma coisa boa esta semana. Retirei da gaveta um receptor de 72 MHz que estava guardado há cerca de dois anos. Bem guardado, diga-se, dentro da caixa original do rádio e protegido com produto para absorver a umidade do ar. Mas o receptor não funcionou. Troquei o cristal, testei o transmissor e os servos. Nada. Por quê? Ele estava perfeito quando o guardei! Levei-o na assistência técnica da Futaba.

Expliquei o caso para o técnico Aroldo Parede. Ele matou a charada na hora: “Receptor não pode ficar parado muito tempo. Mesmo bem guardado e protegido, ele se estraga se não funcionar de vez em quando”.

Uai! E por quê? Se ele está quietinho e bem protegido na gaveta, por que se estraga? Aroldo é quem explica:

Os receptores de RC têm uma microbobina a bordo que divide em duas a corrente elétrica que vem da bateria. Uma parte vai para os servos, outra abastece o circuito do próprio receptor. Essa microbobina também atua como filtro de radiofreqüências.

Como se sabe, ou melhor, quem fez um colegial decente sabe que toda corrente elétrica gera um campo eletromagnético e todo campo eletromagnético gera uma corrente elétrica em um meio condutor na vizinhança. A tal microbobina também se encarrega de filtrar as ondas eletromagnéticas geradas pela corrente elétrica que flui dentro dos circuitos do receptor. Em outras palavras, ela não deixa o receptor criar uma freqüência de rádio que interfira nele mesmo.

É uma microbobininha do tamanho de uma cabeça de fósforo. Seu enrolamento é feito com um fio de cobre muito fino – bem mais fino do que um fio de cabelo. Ele é protegido por uma película, mas ela é tão delicada que, vira e mexe, pode partir-se à toa. Quando o receptor está em uso, a própria corrente elétrica que passa pelo fiozinho o mantém saudável. Mas quando o receptor fica parado por muitos meses ou anos, o fiozinho pode se oxidar. Pifa e o receptor não funciona.

Aroldo diz que, no litoral, onde são mais agudos os efeitos da maresia, uma parada de dois ou três meses pode ser suficiente para estragar a microbobina.

Então, para evitar o problema, é preciso fazer o receptor funcionar de vez em quando. Boa essa! (Álvaro Caropreso)

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